miércoles, 11 de enero de 2017

Reflexos



Reflexos

Escrevo porque tomo para mim
os espaços em branco
de uma folha ao vento
dos vestígios das tempestades
dos rumores, das flores
esses adventos como
revelar o imponderável
que vagueia pelos meus sonhos.
Escrevo palavras que vem do espelho
da alma, da noite.
Semente quase madura que sai do repouso
e pousa
na terra inundada
pela chuva fina que germina
coisas que não são outras
que não poesias.
Espelho que me reconheço
como parte desta legião
de loucos e esquisitos
que enxergam a luz duplicada
que veem palavras flutuantes
sobre as águas
que rouba a lua dos bêbados
que colore as retinas já desbotadas
que visita as estrelas feito pó
que chora nuvens carregadas
que canta como os meninos do realejo.
Como quem faz a antologia
das próprias imagens
eu posso fazer as cores, os sabores
os aromas e os amores.
Escrevo e sempre escreverei
porque não aprendi a medir e nem pesar
as emoções, nem tampouco as sensações.


Valéria Garcia.